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Trevas de mim, por onde andam minhas luzes? Lume oculto, por que não lhe desvendo? Verdade de mim, por que não se revela? Mentira de mim, por que tem o poder de enganar-me? Que fazer quando se sente apenas como migalhas, os restos de tristeza que são mais potentes que as frágeis felicidades? por que insiste tanto a ponto de afugentar o prazer de ser? De tudo que eu sempre quis, por tanto que tanto lutei, e então descobrir que todas batalhas já estão vencidas ou perdidas. Migalhas de mim, como podem ser maiores que o todo de mim? Guerra de mim, que se apoderou da minha paz, a verdadeira paz. A paz que não é dos mortos, mas aquela que reluz em vida. Pecado de mim, culpa de mim, até onde sou perseguido, até onde persigo a mim mesmo, sendo meu próprio carrasco? Demônio de mim, por que se cala ante o anjo que nada diz? Anjo de mim, por que não vence o demônio que lhe desafia em silêncio? Quietude da alma, solidão do ego, ninguém pode socorrer o de fato sozinho. Nem mesmo as lágrimas são válidas, pois apenas choram sem objeto definido. Prisão de meu ser, até onde o corpo há de ser chave de minha liberdade? Até onde criarei um espírito débil para salvaguardar minhas desilusões? Orgulho de mim, grande tolice de mim mesmo, totem caído em batalha. Os inimigos estão a postos, não se crê em amigos no fio da navalha. Até os enganos podem guiar um destino? Até onde se pode ser iludido? Dos muitos porquês, por tanto que se faz de nada...
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