CERZINDO VERSOS
Cleide Canton
Voando nas alturas rompem asas
daqueles que procuram pelos sonhos,
e quando não alcançam, quão tristonhos
são martírios dançando sobre brasas.
Morre a chama, aventura malfadada,
morre o sopro, ilusão que se perdeu...
E eu pergunto: Onde foi que se escondeu
a beleza que um dia foi sonhada?
De que valem as asas remendadas
se até mesmo a vontade soçobrou
nos descuidos das minhas madrugadas?
Mas os versos, amigos de jornada,
vão surgindo no tempo que restou
desse tudo que agora é quase nada.