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De: mariommarinho1  (Mensaje original) Enviado: 11/10/2008 20:59

Um artigo de Mário Crespo - Imaginem

Mário Crespo é um dos pivots mais conhecidos da televisão portuguesa. Jornalista distinto, elegante na sua função, às vezes polémico, mas, sem qualquer sombra de dúvida, uma das figuras que ficarão na história do jornalismo e da televisão em Portugal.

Acabei de receber, por e-mail, um texto que lhe atribuem. Procurei mas n찾o consegui saber onde foi publicado. Só encontrei outra refer챗ncia a ele num blogue, num artigo datado de Agosto/2008, que também n찾o refere a publica챌찾o original.
Da autoria de Mário Crespo ou não (acredito que sim), por ventura publicado nalgum jornal português que não li, este texto consegue exprimir o sentir de muitos portugueses e, face à actual situação da nossa economia, ele adquire uma grande actualidade. Aqui o reproduzo, com a devida vénia ao autor:


Imaginem

( só menos 10% para os tais...!)

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.


Se os resultados fossem bons as redu챌천es contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recupera챌찾o.


Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dota챌천es de combustível em dez por cento.


Imaginem que as suas despesas de representa챌찾o diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cart천es de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para fun챌천es do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em fun챌천es do Estado.


Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o servi챌o público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescis찾o para quem trabalha e n찾o se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que s찾o os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redu챌찾o de dez por cento nas suas pens천es. Em todas as suas pens천es. Eles acumulam várias. N찾o era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por m챗s.


Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.


Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.


Imaginem que o inédito acto de gest찾o de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunera챌천es do seu Conselho de Administra챌찾o nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decis찾o de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gest찾o, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.


Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando d찾o prejuízo. Imaginem que País podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que País seremos se n찾o o fizermos.



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