O Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Coimbra tem patente na Galeria de Exposições Temporárias do Edifício Chiado mais uma exposição de pintura, com trabalhos pictóricos de autoria de Roberto Chichorro, que designa a exposição de “Ciranda de muitas luas”. A arte de Roberto Chichorro é a apologia duma intensa vivência. Por isso, envolve o leitor ou o curioso da pintura e do desenho. Porque na conjugação dos valores pintados ou desenhados incarnam formas, semeiam-se musicalidades, captam-se atmosferas de liberdade e projetam-se espaços românticos, voluptuosos e melancólicos, mesmo expressivamente tocados pela sensualidade e melancolia, a que se juntam o rigor criativo, a perfeição da tonalidade e a pureza dos sonhos que viajam entre o real e o fantástico. A pintura de Chichorro é preparada para uma leitura crítica, porque a intencionalidade apresenta-se revestida de uma inteira identidade, que fermenta na grandeza das raízes, nas legítimas ambições e nos projetos de vida, identidade vincada em sinais, em símbolos memoriais que se transportam e colhem a força do ego e a nobreza da humildade e do caráter do homem e do artista. Porque o homem não é apenas a sua própria existência, mas também a sua memória. Chichorro exibe uma linguagem intertextual recamada de segmentos de tempo em que a arte que cria, autêntica catarse de emoções, manifesta ao espetador o prazer de a sentir e não ser, somente, mero visitante, mas parte integrante do trabalho que o artista dimensiona na visão que possui do mundo, em que o descodifica, interpreta e veicula em linguagem plástica. Um artista consagrado que aceitou o convite do Município e que se disponibilizou para honrar a cidade com o seu talento e criatividade. Assim, Coimbra terá a oportunidade de observar a autenticidade e a força da obra deste pintor, obra abraçada pelo telurismo das cores e pela riqueza do seu conteúdo. Roberto Chichorro nasceu em 1941, em Lourenço Marques. Trabalhou como desenhador de publicidade e arquitetura, e como decorador de pavilhões para feiras internacionais em Moçambique. Fez cenografias para espetáculos e ilustrou vários livros. De 1982/85 é bolseiro do Governo Espanhol, em Madrid, para cerâmica (Taller Azul) e zincogravura (Óscar Manezzi). Em 1986 é bolseiro do Governo Português, vivendo em Portugal desde essa data e dedicando-se exclusivamente à pintura. Expõe desde a década de 60. Alguns dos seus trabalhos integram as coleções de Museus em Portugal (Museu de Arte Contemporânea de Lisboa e Museu da Caixa Geral de Depósitos), Moçambique (Museu de Arte Moderna do Maputo) e Angola (Museu de Arte Contemporânea de Luanda). A exposição estará patente até 21 de novembro, de terça a sexta, das 10h00 às 18h00 e ao sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00; encerra domingos, segundas e feriados. |