A província de Nampula é tradicionalmente conhecida como a terra das “muthiana orera” ou, simplesmente, meninas bonitas. As mulheres daquela região do país possuem uma técnica que lhes é peculiar de tratar da pele, desde tenra idade, com recurso a uma espécie florestal bastante procurada, denominada mussiro, uma planta que consta da lista das que devem ser preservadas e multiplicadas e que, regra geral, são usadas pelas comunidades para cura de diversas enfermidades, bem como para fins decorativos.
É nesse contexto que surgem iniciativas de diferentes entidades na busca de meios para o processamento e posterior comercialização dos derivados dessas espécies. Um dos exemplos é o projecto desenhado pelo Governo, em parceria com algumas instituições, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a Organização Internacional do Trabalho e o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ACNUR.
Mário Intetepe, chefe do Departamento da Acção Cultural na Direcção Provincial de Educação e Cultura em Nampula, referiu, por exemplo, que o mussiro, cujo caule produz um creme natural, é usado para tratamento da pele pelas mulheres, em particular, e está em processo de multiplicação no distrito de Mossuril.
Aquela espécie, cuja demanda tem vindo a crescer nos últimos tempos, sobretudo nos distritos da zona costeira de Nampula e Cabo Delgado, onde as mulheres usam-na para fins de beleza e medicinais, está em perigo de extinção. Os trabalhos de multiplicação decorrem num ritmo satisfatório e estão a cargo de técnicos locais do sector da agricultura orientados por um especialista da FAO.
O nosso interlocutor referiu que após o mapeamento das zonas onde a existência do mussiro é abundante, serão criadas condições para a sua industrialização com o propósito de conferir maior valor comercial ao produto de modo a que as comunidades envolvidas no negócio possam aumentar a sua renda e melhorar o seu nível de vida.
“Actualmente as comunidades vendem o mussiro em bruto, para que os compradores possam com recursos próprios fazer o seu processamento suportando-se dos métodos tradicionais que implicam o uso de uma pedra, mas doravante serão instalados equipamentos para processamento com recursos a técnicas modernas que incluem o empacotamento do pó para posterior colocação no mercado” - disse a fonte.