Página principal  |  Contacto  

Correo electrónico:

Contraseña:

Registrarse ahora!

¿Has olvidado tu contraseña?

CAFEZAMBEZE
 
Novedades
  Únete ahora
  Panel de mensajes 
  Galería de imágenes 
 Archivos y documentos 
 Encuestas y Test 
  Lista de Participantes
 INICIO 
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
  
 
 
  
  
  
  
  
  
  
  
  
 
 
  Herramientas
 
notcias: Hoje também há boas notícias
Elegir otro panel de mensajes
Tema anterior  Tema siguiente
Respuesta Eliminar Mensaje  Mensaje 1 de 1 en el tema 
De: isaantunes  (Mensaje original) Enviado: 27/11/2010 11:22

 

 

Se todas as PME do país tivessem o mesmo desempenho das PME da Rede COTEC, o défice orçamental estaria próximo dos 3%.

Nicolau Santos (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 18 de Novembro de 2010

 

Os Encontros Rede PME Inovação COTEC são sempre excelentes momentos para lavar a alma das desgraças do país. Com o 4º Encontro, que decorreu esta semana, voltou a acontecer o mesmo. A empresa vencedora do prémio PME Inovação COTEC-BPI 2010 foi a Polisport. O leitor nunca tinha ouvido falar nela certamente? Não se preocupe. Eu tenho mais obrigações e também não a conhecia. E, no entanto, a Polisport, empresa de equipamentos para veículos de duas rodas (bicicletas ou motos) sediada em Oliveira de Azeméis, é uma companhia altamente inovadora (conta com 11 registos de patentes, quatro patentes já concedidas e cinco registos de design comunitário). Inventou as cadeiras porta-bebés para bicicletas, liderando o mercado europeu neste sector, e patenteou a tecnologia de injeção de plástico, que permite produzir peças decoradas por fusão entre o grafismo e o plástico. A empresa desenvolve os processos de inovação em articulação com universidades portuguesas e exporta 97% da sua produção para 60 países.

A Nautilus, uma empresa de Gondomar que associa novas tecnologias de informação ao mobiliário escolar tradicional, tendo criado secretárias e quadros de sala de aula com computadores integrados, foi distinguida com uma menção honrosa, que se junta aos três últimos prémios internacionais da Inovação para a Educação da Woldidac, a associação mundial para a indústria da educação.

É a descoberta destas pequenas e médias portuguesas, altamente inovadoras, que a ação da COTEC permite. E isso é muitíssimo importante por três ordens de razões. Em primeiro lugar, porque é o reconhecimento público do trabalho altamente meritório desenvolvido por pequenos empresários, que são desconhecidos do grande público, constituindo um incentivo adicional para prosseguirem o caminho que vêm trilhando. Em segundo, é a constatação de que, dentro das mais de 360 mil PME nacionais, há muitas profundamente inovadoras em matéria de produtos, serviços e métodos de gestão, ao contrário do que normalmente se pensa. E, em terceiro, é a prova de que muitas destas PME estão essencialmente viradas para a exportação e podem ser fundamentais naquilo que o país mais necessita: exportar como a principal via para sairmos da crise em que nos encontramos.

São estas empresas, inovadoras e exportadoras, que merecem e que devem ser apoiadas pelos fundos públicos em detrimento das grandes companhias instaladas confortavelmente na área dos bens não transacionáveis. Por duas razões. Em primeiro, porque o nosso tecido industrial é esmagadoramente constituído por PME, que são as grandes criadoras de emprego do país. E, em segundo, porque as 141 empresas que pertencem agora à Rede COTEC mostram níveis de rentabilidade económica e de robustez financeira muito acima da generalidade das outras PME; e apresentam indicadores económico-financeiros substancialmente superiores aos do conjunto das empresas nacionais, tanto em termos globais como sectoriais.

De tal modo que Rogério Carapuça, presidente não-executivo da Novabase, não hesitou em afirmar que se todas as PME do país tivessem o mesmo desempenho das PME da Rede COTEC, o crescimento do PIB que daí decorreria poderia colocar o défice orçamental nos 3%, mantendo-se a despesa constante. Mesmo exigindo cálculos mais finos, é um objetivo que vale a pena tentar alcançar.

Apanhados no meio do jogo alemão


 

Não é pelos nossos bonitos olhos que Jacques de Larosière, ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, ou o embaixador norte-americano em Portugal, Allan Katz, mostraram recentemente a sua incompreensão perante a atitude dos mercados para com o nosso país. Em entrevista ao Expresso, Larosière criticou mesmo as agências de rating por não avaliarem adequadamente os esforços que o país está a fazer, no sentido de reduzir o défice orçamental em quase três pontos percentuais no próximo ano, de 7,3% para 4,6%, um esforço brutal que será pedido aos portugueses em 2011.

Pois mesmo assim, Portugal só conseguiu colocar a última emissão de dívida pública deste ano a uma taxa de 6,8% e, no mercado secundário, os títulos andavam já nos 7,4% na quinta-feira. O que justifica esta escalada, se entretanto o Orçamento do Estado para 2011 foi aprovado na generalidade e contempla a tal fortíssima redução do défice? Nenhuma razão interna e apenas razões externas. E as razões externas vêm, por um lado, da degradação da situação irlandesa, com a oposição a recusar um entendimento com o Governo e a exigir eleições. Mas vem por outro, e sobretudo, da nova posição alemã face à União Europeia. Decididamente, a Alemanha deixou de querer estar no centro da construção europeia para passar a estar na sua vanguarda. Por outras palavras, a Alemanha acha que já pagou toda a fatura da II Guerra Mundial e que chegou a hora de definir o seu futuro sem estar dependente de outros. E assim resolveu unilateralmente o seu problema energético com a Rússia. Resolveu unilateralmente o seu relacionamento comercial com a China, que está a sustentar fortemente as suas exportações. E pensa manifestamente que se um país como Portugal, que representa cerca de 1% da economia europeia, sair do euro, isso não representará um risco sistémico para a moeda única (no que tem razão). Pelo caminho, resolveu segurar a Grécia, não pelos gregos, mas pela enorme exposição que os bancos alemães e franceses tinham naquele país.

Voltamos assim ao lema "Deutschland ubber alles" (a Alemanha acima de tudo). Uma Alemanha que quer uma Europa à sua imagem e semelhança e que não se preocupa com o que possa acontecer com os países periféricos, mesmo que estes estejam a fazer um esforço brutal para reduzir os seus desequilíbrios orçamentais. O que daqui vai resultar é um euro a duas velocidades ou a saída de um ou mais países da moeda única. Para Portugal será obviamente dramático. Mas para a Alemanha, a soberba de hoje será a sua desgraça futura, como já foi no passado.

A ajuda chinesa


 

De repente, eis que descobrimos que o Império do Meio pode ser a nossa salvação. Ora comprando a nossa dívida pública (pois se já compraram tanto aos Estados Unidos e se compraram à Grécia, porque não hão de fazer o mesmo à nossa?), ora entrando no capital das nossas empresas (EDP) e dos nossos bancos (BCP), ora estreitando a relação com outros (BPI), ora explorando as nossas reservas de lítio, ora abrindo o seu enorme mercado às exportações portuguesas. Este cenário idílico convém ser filtrado através da máxima maoísta: não confundir a árvore com a floresta. A China é hoje a segunda maior potência mundial e será a primeira em meados deste século. Para isso, necessita de aceder a matérias-primas indispensáveis ao crescimento da sua economia. Necessita de tomar posições estratégicas a nível global. E necessita de apoio político nas organizações internacionais.

Em troca do que fizerem por nós, os chineses esperam que os apoiemos (ou, pelo menos, sejamos neutrais) no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que esqueçamos esse pequeno problema dos direitos humanos e que sejamos um aliado em África e no Brasil. Por isso, temos de repetir todos os dias: os países não têm amigos, têm interesses.

Ricos e mal agradecidos


 

O Governo bateu-se para que a Vivo não fosse vendida à Telefónica. Não evitou esse triste destino, mas conseguiu que a proposta subisse €350 milhões em relação ao último lance espanhol. Mas se esperava alguma gratidão desenganou-se. O conselho de administração da PT aprovou a distribuição de um dividendo extraordinário, de um euro por ação este ano e 0,65 em 2011. Nem a Caixa Geral de Depósitos se opôs. E assim se prova mais uma vez que os privados adoram socializar os problemas (e os prejuízos) e privatizar os lucros - já que no próximo ano as regras fiscais mudam e este dividendo pagaria um imposto de 29%, que daria um apoio não despiciendo para reduzir o défice para 4,6%. Com esta decisão, os acionistas nacionais e internacionais da PT tratam da sua vidinha e fazem um gesto muito vernáculo aos portugueses para que tratem da sua.

(...) Os amigos intensos se fazem vénias
é por brincadeira, eu com eles concluo
do péssimo estado do mundo. Era bom, era,
que fosse apenas Portugal. Os amigos
intensos não têm uma receita para me dar,
sabem que não há duas passagens iguais
da paixão ao amor, mas que é preciso
passar. Quando estão juntos os amigos intensos
são terra e ar, e água e fogo, palha e prata,
luz e oiro, murmúrio das folhas, eterna
canção, jura infantil, pêndulo forte, morna
parede, jardim selvagem, desdém que pensa,
ritmo que vem lá de muito longe, paixão
que soube passar ao amor, encontro e calor.

Helder Moura Pereira, "A Tua Cara Não Me É Estranha"


 

 

Nicolau Santos

Texto publicado no caderno de economia do Expresso de 13 de novembro de 2010

http://aeiou.expresso.pt/hoje-tambem-ha-boas-noticias=f615734



Primer  Anterior  Sin respuesta  Siguiente   Último  

 
©2025 - Gabitos - Todos los derechos reservados