O memorando de entendimento foi assinado pelos ministros dos Transportes e Comunicações do nosso país, Paulo Zucula, e do Botswana, Frank Ramsden. Ambos congratularam-se pela assinatura do memorando, referindo que constitui o materializar da vontade dos dois países, mas também uma plataforma de infra-estrutura que servirá toda a África Austral.
Para além de atender ao Botswana, que pretende encontrar uma saída mais rápida para o escoamento dos seus minérios, em particular o carvão, o porto deverá servir outros países, como a África do Sul, a Suazilândia e o Zimbabwe.
O projecto será materializado em regime de concessão para as diferentes componentes previstas e, segundo o ministro Zucula, será um complemento às infra-estruturas do género existentes na região já saturados pelo tráfego.
De acordo com o projecto apresentado pelo Eng.º Adelino Mesquita, para viabilizá-lo serão necessários 43 milhões de toneladas de carga por ano já identificadas ao longo do percurso da linha férrea. Basta referir que o trajecto proposto significará menos 14 dias em relação ao uso doutros destinos que são feitos numa média de 20.
O complexo portuário deve ocupar uma área de 30 mil hectares, que inclui ainda uma zona de 11 mil hectares para o desenvolvimento industrial. Deve igualmente reunir a capacidade de manusear 200 milhões de toneladas de carga diversa por ano, desde a geral, a granel, minérios, combustível e passageiros.
Neste momento está-se na fase de estudo de pré-viabilidade. Do total dos sete biliões, três serão investidos em Techobanine, compreendendo o porto, alojamentos (vilas), escolas e hospital. Neste sentido, os contratos e arranjos financeiros devem estar assegurados até ao final do ano e em 2011 seguir-se-á a elaboração dos desenhos detalhados de engenharia para o porto e caminhos-de-ferro. A construção da fase inicial deverá acontecer a partir de 2012 até 2015. Neste quadro, o memorando ontem assinado é importante para a mobilização de financiamentos.
Espera-se que o porto tenha características de excelência, podendo comportar navios de grande calado e que seja um estímulo para o crescimento económico do distrito, cuja maioria da mão-de-obra emigra para a vizinha África do Sul. A fronteira está apenas a 15 quilómetros.
O secretário executivo da SADC, Tomaz Salomão, convidado para a cerimónia, disse que será preciso engajar neste projecto o Zimbabwe, a África do Sul e a Suazilândia. O porto, segundo indicou, consta das prioridades da região como infra-estrutura que irá reduzir os custos e promover a competitividade dos produtos da região.
Techobanine fica a 70 quilómetros do Porto do Maputo e a 20 da Ponta de’Ouro.
Atenderam à cerimónia de assinatura do memorando governantes de nível local, provincial e nacional e representantes das empresas privadas de Moçambique e do Botswana.